Sexta-feira, Abril 11, 2008

Como as Cerejas no palco do TAGV

Depois da excelente estreia no Casino da Figueira da Foz, a carreira da nossa produção "... como as cerejas" soma e segue, com representação agendada para o palco principal de Coimbra, o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), para o próximo dia 29 de Abril. Entrada às 21h30.

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Quinta-feira, Abril 10, 2008

Como as Cerejas no Youtube

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

Novo Projecto Mar A Mar: O Lugre

O LUGRE


de Bernardo Santareno


«A todos os pescadores bacalhoeiros portugueses, que têm o riso claro e feroz, que sempre ocultam nos olhos um aceno da morte, que todos os dias, naturalmente, fazem milagres de força, que, se a pesca adrega de ser boa, cantam e bailam sozinhos, como os meninos e os loucos... que são tipos perfeitos da raça.»


Bernardo Santareno


Introdução

Bernardo Santareno, em muitas das suas obras, procurou retractar a sociedade portuguesa inspirando-se em dados objectivos, nas formas e nos tipos de um certo viver português.

O Lugre está praticamente esboçada em alguns dos episódios descritos no seu livro Nos Mares do Fim do Mundo, publicado em 1959, o qual é um conjunto de narrativas que resultaram da sua experiência como médico da frota bacalhoeira, experiência que dramaticamente transpôs para esta peça.
No Lugre, como em outros dos seus trabalhos, existe sempre algo de sensual e de trágico, uma mistura de amor e de morte, com um cunho pessoal sobre os acontecimentos bem patente na relação das personagens de Miguel e Albino, onde existe uma amizade e logo o suicídio do segundo.
A representação desses viveres portugueses, tinha como objectivo claro a sua contribuição para a construção de um teatro português, inspirado nas raízes do seu povo e dimensionado numa perspectiva moderna, crítica e inovadora.
As suas personagens, normalmente vigorosas, deixam transparecer uma certa poesia, mas tendo sempre por base um comprometimento com um sentido de transformação social e política


4 razões para uma produção

- Em primeiro lugar o facto de a história de Portugal estar intrinsecamente ligada à pesca do bacalhau, logo um interesse documental e histórico, como forma de preservação da nossa memória social, económica e cultural. Recorde-se que durante o fascismo existia um lei que obrigava os homens optar pelo ingresso nas forças armadas e ir combater para as ex- colónias, durante mais ou menos três anos, ou integrar a tripulação dos Lugres, para a pesca do bacalhau, durante dez anos.

- A segunda prende-se com o facto de ainda existir um número substancial de pessoas da Figueira da Foz, e sobretudo de Buarcos, que dedicaram as suas vidas à pesca do Bacalhau.

- Em terceiro lugar, a oportunidade de se proporcionar a integração de elementos de diferentes grupos de teatro de amadores do concelho que, em conjunto com profissionais, têm a possibilidade de partilhar uma experiência de trabalho que poderá ter repercussões estimulantes e importantes na actividade a desenvolverem, no futuro, nos seus grupos / associações.
Neste particular será também de referir o interesse no envolvimento de uma ou duas Bandas Filarmónicas (a convidar), centenárias, do concelho da Figueira da Foz.

- Por último, o facto de se tratar de um autor que é um dos grandes vultos, e provavelmente o mais original, da dramaturgia portuguesa do séc. XX, de cuja obra sempre transpirou a reivindicação do direito à diferença, o respeito pela liberdade e a dignidade do homem face a todas as formas de opressão, a luta contra todo o tipo de discriminação, política, racial, económica, sexual ou outra.
A sua obra tem caído no esquecimento, pelo que este trabalho pretende ser um forte contributo para a sua preservação e enaltecimento.

Compreendendo e assimilando o passado estamos mais preparados / dispostos para interpretar o presente e projectar o futuro.

Sinopse

Tudo acontece num Lugre, algures na Terra Nova, Grande Banco.

O isolamento dos pescadores, nos mares da Terra Nova, exaspera os homens e agudiza os conflitos. O pescador Albino “Marreco”, desprezado pelos companheiros, mata o “Zé Espada” e o “Tó Maria” e lança-se ao mar. Mar que se transforma em personagem principal e protagonista desta tragédia de luta do Homem contra o Oceano.

A Encenação

O teatro é uma extensa cadeia de traduções ou interpretações, que começa com a leitura da realidade feita pelo autor dramático e acaba com a leitura que um espectador não abstracto nem universal faz de uma encenação concreta.

Nos elos médios desta cadeia actuam também como intérpretes sucessivos o dramaturgista, o encenador, o cenógrafo e os actores.

Desse jeito a encenação nunca pode aspirar a ser a representação fiel de um texto escrito, pois como um acumulado de significações originais, sem serem unívocas nem perfeitamente definidas para o próprio autor, vai experimentando, na cadeia interpretativa, a alterações inerentes a todo o processo comunicativo.

No caso particular de “O Lugre”, temos que ter em conta as circunstâncias de lugar e tempo para as quais se prepara a montagem. Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, uma pequena cidade do centro-litoral de Portugal, cuja história e vida desde sempre esteve ligada à pesca, numa relação directa com o mar por natureza e subsistência.

Trata-se de um poema dramático em prosa, próximo de um regionalismo épico estilizado. Com uma estrutura baseada em seis quadros, tem uma dimensão épica com uma força de linguagem que superam certos convencionalismos do conflito.

O cerne da tragédia reside na luta contra o mar, a um tempo amado e odiado pelos pescadores. Este será o norte dramatúrgico da encenação.

Para além disso, o desafio da encenação será levar os intérpretes a tornear o peso dos monólogos bem como a harmonização das marcações.

O Autor

Bernardo Santareno, pseudónimo literário de António Martinho do Rosário (Santarém, 1924 — Lisboa, 1980) foi um dramaturgo português.

Médico de profissão, formado pela Universidade de Coimbra, revelou-se como autor de teatro depois de publicar três livros de poesia (1954 - Morte na Raiz, 1995 - Romances do Mar, 1957 - Os Olhos da Víbora), onde se enunciam alguns temas e motivos dominantes da sua obra dramática. Reconhecido como o mais pujante dramaturgo português do século XX, a sua obra reparte-se por dois ciclos, menos distanciados um do outro do que a evolução estética e ideológica do autor terá feito supor, já que as peças compreendidas em qualquer deles respondem à mesma questão essencial: a reivindicação feroz do direito à diferença e do respeito pela liberdade e a dignidade do homem face a todas as formas de opressão, a luta contra todo o tipo de discriminação, política, racial, económica, sexual ou outra.

Esta temática exprime-se, nas peças integrantes do primeiro ciclo (A Promessa, O Bailarino e A Excomungada, publicadas conjuntamente em 1957; O Lugre e O Crime de Aldeia Velha, 1959; António Marinheiro ou o Édipo de Alfama, 1960; Os Anjos e o Sangue, O Duelo e O Pecado de João Agonia, 1961; Anunciação, 1962), através de um naturalismo poético apoiado numa linguagem extremamente plástica e coloquial e estruturado sobre uma acção de ritmo ofegante que atinge, nas cenas finais, um clima de trágico paroxismo.

A partir de 1966, com a "narrativa dramática" O Judeu, que retrata o calvário do dramaturgo setecentista António José da Silva, queimado pelo Santo Ofício, o autor plasma as suas criações no molde do teatro épico de matriz brechteana, adaptando-o ao seu estilo próprio, e assume uma posição de crescente intervencionismo que irá retardar até à queda do regime fascista a representação dessa e das suas peças seguintes: O Inferno, baseada na história dos "amantes diabólicos de Chester" (1967), A Traição do Padre Martinho (1969) e Português, Escritor, 45 Anos de Idade (1974), drama carregado de notações autobiográficas e que seria o primeiro original português a estrear-se depois de restaurada a ordem democrática no país.

Em 1979, depois de uma curta incursão no teatro de revista, colaborando com César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos na autoria do texto de P'ra Trás Mija a Burra (1975), publica quatro peças em um acto sob o título genérico Os Marginais e a Revolução (Restos, A Confissão, Monsanto e Vida Breve em Três Fotografias), em que combina elementos das duas fases da sua obra, inserindo a problemática sexual das primeiras peças no âmbito mais vasto de um convulsivo processo social que é a própria substância das segundas.

Publicou em 1959 um volume de narrativas, Nos Mares do Fim do Mundo, fruto da sua experiência como médico da frota bacalhoeira, experiência que dramaticamente transpôs em O Lugre, e deixou inédito um dos seus mais vigorosos dramas, O Punho, cuja acção se localiza no quadro revolucionário da Reforma Agrária, em terras alentejanas. A sua obra dramática completa está publicada em quatro volumes. Parte do espólio de Bernardo Santareno encontra-se no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da Biblioteca Nacional de Portugal.

in Wikipédia

Ficha técnica

Encenação de Vítor Filipe
Assistência de encenação de Margarida Miranda
Elenco em definição
Cenografia de João Sotero
Desenho de Luz de Jorge Ribeiro
Operação de Luz de Alexandre Mestre
Figurinos adereços de Inês de Carvalho
Caracterização de Teresa Águas
Direcção musical de Paulo Vaz de Carvalho
Execução musical de Pável Tchangli e Banda(s) Filarmónica(s)
Banda sonora de Adriano Couceiro
Vídeo de Carlos Lagoa
Direcção de montagem de Pedro Noronha
Direcção de produção de Marta Castro

Sexta-feira, Novembro 02, 2007

"... COMO AS CEREJAS"


UM NOVO ESPECTÁCULO DA MARAMAR

Como as Cerejas

Cinco Mistérios Dolorosos

um espectáculo

baseado num poema
de Samuel Beckett
e textos da novela Tic Tac
de Suso de Toro
encenação e interpretação
de Vítor Filipe


... um bar... um balcão... um espaço cénico austero, essencial, sugestivo... um lugar de filósofos anónimos ...um lugar de viagem, de fuga, de partida e de chegada, de onde quase nunca se quer partir ou chegar...
... um lugar de onde se parte para uma viagem de ida e volta pela infância e diversos outros momentos da sua / nossa existência.
... um homem que fala, fala e fala, manifestando um profundo desencanto e um arrepiante desassossego...
Ousado e implacável como uma prédica calvinista
Desesperado e sincero como as últimas palavras de um condenado
Inútil como um livro de orações(1)
... um desajustado da sociedade, sem “família”, sem trabalho, sem amigos, que sempre viveu na sombra de sua mãe... sensível, tremendamente sincero, despudorado, disserta sobre o mundo que o rodeia, a vida, o sexo, a masculinidade, o facto de morrermos enquanto crianças porque nos tornamos adultos, o trabalho, a pedofilia, a exclusão social, etc., de uma forma intuitiva, empírica, mas muito particular.
... é o conto de uma imensa frustração existencial... de solidão... de desespero... de revolta... morte lenta de uma vida agastada, retida, falha de oportunidades, coberta de preceitos, preconceitos e conceitos religiosos com pés de barro.
... espectáculo que assume uma interacção directa com o público, em muitos momentos, fazendo-o reagir, e sobretudo sentir.

(1) Suso de Toro

http://www.scribd.com/doc/2515751/como-as-cerejas

http://www.youtube.com/results?search_query=como+as+cerejas&search_type=&aq=f


Encenação e interpretação de Vítor Filipe


[2] Samuel Beckett – Poèmes, suivi de Mirlitonnades. Paris, Ed. Minuit, 1978, p. 23. Tradução de Célia Berrettini


Custo – 2.500,00 € (Opção – 1.200,00 € assegurados e o restante das bilheteiras)

Domingo, Setembro 11, 2005

Vertigem do Desejo


Mar A Mar assinala Ano Inesiano com Recital

Vertigem do Desejo

No intuito de nos associarmos à comemoração dos 650 anos da morte de Inês de Castro, acontecimento que consideramos de relevante interesse para a preservação, salvaguarda e desenvolvimento da nossa memória histórica e cultural, e que se assinala no ano corrente, a associação cultural e artística da Figueira da Foz Mar A Mar Teatro apresenta um trabalho transdisciplinar onde interagem várias expressões artísticas, denominado Vertigem do Desejo.

O espectáculo, com a duração de 1h15, tem por base uma selecção de textos / poesias de vários autores da língua portuguesa, desde o séc. XVI até aos nossos dias, que abordam a tragédia de D. Pedro e Inês de Castro, que ombreia na sua imortalidade e universalidade ao clássico do romantismo dramático Romeu e Julieta. Pretende-se fazer o público viajar no tempo e mergulhar num ambiente dominado pela tensão entre o desejo “utópico” (o amor impossível) e a realidade castradora, donde resulta a violência, o prazer ou o castigo.

Falamos neste recital de uma paixão carnal e sensual que suplanta normas, proibições e convenções; que coloca os seus desejos acima de tudo. Uma paixão tão forte e intensa que sobrevive à morte (“mito” que se revela, por exemplo, na coroação de Inês depois de morta e na vingança de D. Pedro contra os carrascos) e que perdura «até ao fim do mundo», para usar as próprias palavras de Pedro. Amantes, carrascos ou figurantes, todos os personagens desta ”lenda viva” do imaginário português são trágicos. Estão como que aprisionados numa vertigem fatal de desejo.

Neste recital, projecto e coordenação de Vítor Filipe, os textos são interpretados pelos actores Fernanda Lapa (Medalha de Mérito Cultural) e Vítor Filipe, musicados por Eduardo Martins (piano) e Sónia Amorim (violoncelo), coreografados e dançados por Catarina Trota e acompanhados pela fugacidade das imagens criadas pelo pintor Mário Silva em “pano de fundo”. Tudo isto envolto em ambientes de Luz criados por Jorge Ribeiro.

A estreia do espectáculo terá lugar dia 16 deste mês (Setembro), em Montemor-o-Velho, um dos pontos-chave da história de Pedro e Inês, a par com Coimbra ou Alcobaça. O recital subirá ao palco do Teatro Esther de Carvalho, pelas 22h00, por iniciativa da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho e integrado nas comemorações oficiais do Município do Ano Inesiano.

* O recital Vertigem do Desejo foi igualmente proposto a outros Municípios da “Rota Inesiana”, aguardando resposta das respectivas edilidades.

Sábado, Abril 02, 2005

Formação


Oficinas Teatrais da Mar A Mar. Mais informações para maramar.teatro@gmail.com Posted by Hello

Quinta-feira, Janeiro 13, 2005

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